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A
Origem dos Vampiros Parte
I: Nefilin «Existem
certos mistérios que nós, Bene
ha’ Elohim e a geração dos Nefilin: Os
Filhos de Deus (em hebraico bene ha’ Elohim) — entre
os quais figuram Satã/Samael e Lilith — são conhecidos de vários
textos da Bíblia Hebraica. Como já vimos, em Jó 1:6 e 2:1 os Filhos
de Deus se apresentam a Iahweh na divina assembléia celestial; mais
adiante, em Jó 38:7, vemos que os Filhos de Deus estiveram ao lado de
Iahweh na criação do mundo: quando vêem a obra de Deus “rejubilavam
os filhos de Deus”. Eles aparecem também (na forma hebraica bene
’elim) na assembléia divina de Iahweh no Salmo 89:7, onde se
proclama a sua incomparabilidade entre o Deus. Uma cena semelhante
ocorre no Salmo 29:1, onde os Filhos de Deus (bene ’elim)
tributam glória ao senhor.[1] Talvez
a mais curiosa referência aos Filhos de Deus seja a do famoso Cântico
de Moisés, no Deuteronômio 32, justamente antes dele subir ao monte Nebo,
para morrer sem ter entrado na Terra Prometida. O Deuteronômio 32,8
contém o que aparentemente é uma velha referência mitológica à
primitiva história da humanidade. – Descobriu-se que um texto
fragmentário entre os Manuscritos do Mar Morto continha o Deuteronômio
32:8. composto em escrita do final do período herodiano (fim do século
I a.C. ao início do século 1 d.C.). Esse fragmento é hoje o mais
antigo texto hebraico do Deuteronômio 32:8 conhecido. Nesse fragmento,
as últimas palavras do versículo são claramente bene ha’ Elohim
(Filhos de Elohin). Essa redação foi preservada na Septuaginta
Grega, que traduziu como “aggelon theou[2]: “Quando
o Altíssimo repartia as nações, Aqui
são os anjos que guardam ou governam as nações. Porém Deus reservou
cuidar pessoalmente de Israel, seu povo eleito: “Mas a parte de Iahweh
foi o seu povo, o lote da sua herança foi Jacó”. (Deuteronômio
32,9). Foi uma sábia decisão, já que outros textos indicam que os
anjos não fizeram exatamente o que deveriam, ou melhor, fizeram coisas
além do que deveriam. Como, por exemplo, ensinar aos homens ciências
divinas, casar-se e ter filhos. O
livro da Gênese assinala a união fecunda dos Benei-ha-Elohim
com as filhas dos homens. Misterioso casamento do qual nasceu a grande
raça dos gibborim, ou dos nephilim: «Quando
os homens começaram a se multiplicar sobre a face da terra e lhes
nasceram filhas, os bene ha’ Elohim viram que as filhas
dos homens eram belas e tomaram como mulher todas as que lhes agradaram.
E então disse o Senhor: “Meu
espírito não terá força (yadon) indefinidamente sobre o
homem, pois este na verdade é só carne. E os seus dias serão cento e
vinte anos”.[3]
Ora, naqueles tempos, os Nefilim habitavam sobre a terra, e também
depois, quando os bene ha’ Elohim se uniam às filhas
dos homens e estas lhes davam filhos: estes foram os heróis dos tempos
antigos, os homens de renome.» (Gênesis 6:1-4) O
episódio dos “filhos de Deus”, que se casaram com as “filhas dos
homens”, é de tradição javista. O capítulo 6 é provavelmente um
fragmento de uma antiga versão hebraica do Livro de Enoch que se
adicionou ao Gênesis para fornecer uma motivação moral à história
do dilúvio, derivada de versões mesopotâmicas, como a epopéia de
Gilgamesh, nas quais essa motivação inexiste. O
termo Nefilin significa literalmente “os caídos”, sendo um
eufemismo comum para “os mortos”, (por exemplo, Jeremias 6:15
diz: “eles cairão entre os que caem [em hebraico nopelim]”).
Em Ezequiel 32:27, temos os Nefilim como guerreiros que caíram: «Eles
jazem com os guerreiros, Os
nefilin dos tempos antigos, Que
desceram ao Xeol [sepulcro] com
suas armas de guerra.» (Ezequiel 32:27) Muitos
textos sugerem que o dilúvio teria como função acabar com os Nefelin,
entretanto, a presença de textos narrando a aparição de nefelins após
esta data sugere que pelo menos alguns sobreviveram (ou ouve uma Segunda
queda dos anjos após aquela data...) O
livro de Números fala da presença de Nefelins em Canaã — em época
bem posterior ao dilúvio. No relato, depois de vagar 40 anos no deserto
os Israelitas fizeram uma breve parada em Cades, o principal oásis
do norte do Sinai, 75 km a sudoeste de Bersabéia. Então Moisés
enviou um príncipe de cada tribo presente ao deserto de Farã
para explorar a terra prometida: “Subi ao Negueb, e em seguida
escalai a montanha. Vede como é a terra; como é o povo que a habita
(...) Sede corajosos. Trazei produtos da terra.” (Números 13:17-20)
Então eles subiram desde o deserto de Sin até Roob, a
Entrada de Emat no extremo norte da terra prometida. Subiram pelo
Negueb e chegaram a Hebrom, onde se achavam Aimã, Sesai e
Tolmai, os enacim; e chegaram ao vale de Escol. Lá cortaram um ramo de
videiras com um cacho de uvas que levaram sobre uma vara, transportada
por dois homens; levaram também romãs e figos. (Números 13:21-24) Após
40 dias voltaram da exploração do lugar trazendo os produtos da terra
e relatando o seguinte: “Fomos à terra à qual nos enviaste. Na
verdade é terra onde mana leite e mel; eis os seus produtos. Contudo, o
povo que a habita é poderoso; as cidades são fortificadas, muito
grandes; também vimos ali os filhos de Enac. Os amalecitas
ocupam a região do Negueb; os heteus, os amorreus
e os jebuseus, a montanha; os caneneus, a orla marítima e
ao longo do Jordão.” (Números 13:25-29) Então Caleb, príncipe da
tribo de Judá, animou-se e disse ao povo reunido diante de Moisés:
“Devemos marchar e conquistar essa terra: realmente podemos fazer
isso.” Mas os outros príncipes que o haviam acompanhado se opuseram:
“Não podemos marchar contra esse povo, visto que é mais forte do que
nós (...) A terra que fomos explorar é terra que devora os seus
habitantes. Todos aqueles que lá vimos são homens de grande estatura.
Lá também vimos Nefelins –os filhos de Enac são
descendência de Nefilim –. Tínhamos a impressão de sermos
gafanhotos diante deles e assim também lhes parecíamos.” (Números
13:31-33) Mas os príncipes Josué e Caleb reanimaram a comunidade: “Não
tenhais medo do povo daquela terra, pois os devoraremos como um bocado
de pão. A sua sombra protetor[4]
lhes foi retirada, ao passo que Iahweh está conosco” (Números 14:9) No
Deuteronômio 2:11, os gigantes enacim – descendentes dos nefilim
– também são chamados de rafaim, um termo mais geral para os
habitantes de Canãa, citados em Números: «Cruzamos
o território de nossos irmãos, os filhos de Esaú que habitam em Seir
(Édom), e passamos pelo caminho da Arabá, de Elat
e de Asiongaber. Depois viramo-nos, tomando o caminho do deserto
de Moab. Disse-me então Iahweh: “Não ataques Moab e não
o provoques à luta, pois nada te darei da sua região. Eu dei Ar
como propriedade aos filhos de Ló. – Outrora os emim aí
habitavam; eram considerados como rafaim, assim como os enacim;
os moabitas, porém, chamam-nos de emim. Em Seir
habitavam outrora os horreus; os filhos de Esaú, porém, os
desalojados e exterminaram, habitação no seu lugar, assim como Israel
fez para se apossar da terra que Iahweh lhe dera. – E agora, levantai
acampamento e atravessai o ribeiro de Zared!”» (Deuteronômio
2:8-13) Mais
adiante, a narração continua: «Ouve, ó Israel: hoje estás
atravessando o Jordão para ires conquistar nações mais numerosas e
poderosas do que tu, cidades grandes e fortificadas até o céu. Os enacim
são um povo grande e de alta estatura. Tu os conheces, pois ouviste
dizer: “Quem poderia resistir aos filhos de Enac?” Portanto,
saberás hoje que Iahweh teu Deus vai atravessar à tua frente,
como um fogo devorador; é ele quem os exterminará e é ele quem os
submeterá a ti. Tu, então, os desalojarás e, rapidamente, os farás
perecer (...) é por causa da perversidade dessas nações que Iahweh irá
expulsa-las da tua frente (...) e também para cumprir a palavra que ele
jurou a teus pais, Abraão, Isaac e Jacó.» (Deuteronômio 9:1-5) Dois
dos mais conhecidos entre os rafaim são o rei Og, de Basã,
e o gigante Golias, descrito como descendente de Rafá em Gate
(2 Samuel 21,19ss[5].
Segundo o Deuteronômio, o imenso leito de ferro de Og ainda podia ser
visto em Rabá: «Pois somente Og, rei de Basã,
sobreviverá dos remanescentes dos rafaim; seu leito é o leito
de ferro que está em Rabá dos filhos de Amon: tem nove côvados
de comprimento e quatro côvados de largura, em côvado comum.»
(Deuteronômio 3:11[6]
Note que os gigantescos habitantes nativos de Édom-Seir, Amon e Gaza
também são totalmente aniquilados em geral por Iahweh (ver
Deuteronômio 20:2-3): «Mas
eu destruíra diante deles o amorreu, cuja
altura era como a altura dos cedros, e
que era forte como os carvalhos! Destruí
seu fruto por cima, E
suas raízes por baixo!» (Amós 2-3) Os
nefilin, portanto, parecem ter sido uma raça de heróis que viveu antes
do Dilúvio e também em Canãa, quando os israelitas ainda não haviam
conquistado a Terra Prometida. Por esse tempo, os nefilim acabam, como o
nome sugere, como “os mortos”. Diz-se que os refaim e enacim
foram exterminados por Josué (Josué 11:21-22), Moisés (Josué 12,4-6)
e Caleb (Josué 15:14; Juizes 1:20), embora restassem alguns
desgarrados, que seriam mortos por Davi e seus homens (2 Samuel 21,
18-22; 1 Crônicas 20:4-8). Josué 11,22 nos diz que: “Nenhum dos enacim
sobreviveu na terra de Israel, somente em Gaza, em Gate e em Asdode
alguns sobreviveram”. Segundo
Ronal S. Hendel, «a função dos nefilim-rafaim-enacim, (...) é
constante em todas essas tradições. Eles existem para serem
aniquilados: pelo Dilúvio, por Moisés, por Davi e outros. Na tradição
israelita, os nefilim tem uma função: morrer.[7]
Contudo, sempre acaba sobrando algum para ter filhos e continuar a histórias... A
Queda dos Anjos: Os
nefilins foram considerados nos livros apócrifos da época do
Segundo Templo. Entre os achados arqueológicos mais importantes nesta
área, encontra-se um texto em aramaico, descoberto no inverno de
1896-97 numa genizah de uma comunidade hebraica do Cairo e
publicada, pela primeira vez, sob o título de Documento de Damasco, em
1910. Diz o seguinte: «III
– E, agora, ouvi-me, meus filhos, que eu descerrarei os vossos olhos
para que possais escolher aquilo que Ele ama e desprezar tudo aquilo que
odeia, para poderdes caminhar perfeitamente em todos os Seus caminhos e
não errardes seguindo impulsos culposos ou deitando olhares de fornicação.
Porque muitos foram os que se desviaram e homens fortes e valorosos aí
escorregaram, tanto outrora como hoje. Caminhando com a rebelião nos
corações, caíram os próprios guardas dos céus, a tal chegados
porque não observavam os mandamentos de Deus, tendo caído também os
seus filhos, cuja estatura atingia também a altura dos cedros e cujos
corpos se assemelhavam a montanhas. Todo o ser vivo que se encontrava em
terra firme, caiu, sim, e morreu, e foram como se não tivessem sido,
porque procediam conforme a sua vontade e não observavam os mandamentos
do seu Criador, de maneira que a cólera de Deus se inflamou contra
eles.»[8] Vários
fragmentos do Livro de Enoch, escritos em aramaico, foram descobertos
nas célebres grutas de Qumra[9],
no Mar Morto. Contudo, mesmo depois dos textos terem sido comparados e
executado um árduo trabalho de reconstituição, ainda faltaram
diversas lacunas. Tentei amenizar este problema tapando os buracos com
passagens de uma tradução livre para o etíope quase idêntica ao
original aramaico, encontrada na Abissínia (conhecida como Enoch Etíope
ou I Enoch)[10]: VI
- 1
«Sucedeu que quando se multiplicaram naqueles dias os filhos dos
homens, nasceram-lhe filhas formosas e belas. Os Vigilantes, filhos do céu,
viram-nas, desejaram-nas e disseram uns aos outros: Vamos e
escolhamos mulheres dentre as filhas dos homens e engendremos filhos.
Porém Semihaza, que era o seu chefe, lhes disse: Temo que não queiras
realizar esta obra, e seja eu sozinho culpável de um grande pecado.
Responderam e lhe disseram todos:[11]
«Juremo-nos todos e comprometamo-nos todos sob anátema. Uns com os
outros, a não voltarmos atrás neste projeto até que tenhamos
realizado esta obra. Então se juramentaram todos em uníssono e se
comprometeram uns com os outros. Eram duzentos todos os que desceram no
tempo de Jared sobre o cimo do monte Hermon. Chamaram o monte “Hermon”,
porque juram e se comprometeram sob anátema uns com os outros nele.
Estes são os nomes de seus chefes: Semihazah, que era seu chefe;
’Ar‘teqof, o segundo com relação a ele; Ramt’el, o terceiro com
relação a ele; Kokab’el, o quarto com relação a ele; ???’el, o
quinto com relação a ele; Ra’ma’el, sexto com relação a ele;
Dani’el, sétimo com relação a ele; Zeq’el, oitavo com relação a
ele; Baraq’el, nono com relação a ele; ‘Asa’el, décimo com relação
a ele; Hermoni, undécimo com relação a ele; Matar’el, duodécimo
com relação a ele; ’Anan’el, décimo terceiro com relação a ele;
Sato’el, décimo quarto com relação a ele; Shamsi’el, décimo
quinto com relação a ele; Sahari’el, décimo sexto com relação a
ele; Tumi’el, décimo sétimo com relação a ele; Turi’el, décimo
oitavo com relação a ele; Yomi’el décimo nono com relação a ele;
Yehadi’el, vigésimo com relação a ele. Estes são os chefes dos
chefes de dezena.»[12] VI
- 1
«Eles e seus chefes, todos tomaram para si mulheres, escolhendo entre
todas, e começaram a ir a elas e a contaminar-se com elas, a
ensinar-lhes bruxarias, encantos e o corte de raízes, e a revelar-lhes
as plantas. Elas ficaram grávidas deles e pariram gigantes, altos uns
três mil côvados, que nasceram sobre a terra conforme a sua infância,
e cresceram de acordo com seu crescimento, e que devoravam o trabalho de
todos os filhos dos homens, sem que os homens pudessem abastecê-los. Os
gigantes conspiravam para matar os homens e para devora-los. Começaram
a pecar [...] contra todos os pássaros e animais da terra e contra os répteis
que se movem sobre a terra e nas águas e no céu, e os peixes do mar, e
a devorar uns a carne dos outros, e bebiam o sangue. Então a terra
acusou os ímpios por tudo o que se havia feito nela.»[13]
VIII
- 1.
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IX
-1
«Então Miguel, Sariel, Rafael, e Gabriel olharam para a terra do santuário
dos céus e viram muito sangue derramado sobre a terra; e toda a terra
estava cheia da maldade e da violência que se pecava sobre ela. Ouvindo
isto, os quatro foram e disseram que o grito e o lamento pela destruição
dos filhos da terra subia até as portas do céu. E disseram aos santos
do céu: É agora a vós, santos do céu, a quem suplicam as almas dos
filhos dos homens dizendo: “Levai nosso caso diante do Altíssimo e
nossa destruição diante da majestade!” Foram Rafael, Miguel, Sariel
e Gabriel, e disseram diante do Senhor do mundo: “Tu és nosso grande
Senhor, tu és o Senhor do mundo; Tu és o Deus dos deuses e o Senhor
dos senhores e o Rei dos reis. Os céus são o trono de tua glória por
todas as gerações que existem desde sempre, e toda a terra é o
escabelo ante ti por toda a eternidade, e teu nome é grande e santo e
bendito para sempre. [Tudo foi por Ti criado e conservas o domínio
sobre todas as coisas. Tudo é claro e manifestado diante dos teus
olhos. Tu vês tudo e nada pode ocultar-se na tua presença. Tu vês o
que foi perpetrado por Azazel, como ele ensinou sobre a terra toda espécie
de trangreções.]»[17]
«pois (eles) ensinaram os mistérios eternos que há no céu para que
os praticassem os conhecedores dentre os homens. E (olha) Shemihaza, a
quem deste autoridade para reinar sobre todos os seus companheiros.
Foram às filhas dos homens da terra e dormiram com aquelas mulheres,
contaminando-se com elas [e familiarizaram-nas com toda sorte de
pecados. As mulheres pariram gigantes e, em conseqüência, toda a terra
encheu-se de sangue e de calamidades. 6. Agora clamam as almas
dos que morreram, e o seu lamento chega às portas do céu. Os seus
clamores se levantam ao alto, e em face de toda a impiedade que se
espalhou sobre a terra não podem cessar os seus queixumes. 7. E
Tu sabes de tudo, antes mesmo que aconteça. Tu vês tudo isso e
consentes. Não nos dizes o que devemos fazer.]”»[18]
X
- 1
«[Então o Altíssimo, o Santo, o Grande, tomou a palavra e
enviou Uriel (= Sariel) ao filho de Lamech (Noé), com a ordem seguinte:
“Diz-lhe, em meu nome: ‘Esconde-te’, e anuncia-lhe o fim próximo!
Pois o mundo inteiro será destruído; um dilúvio cobrirá toda a terra
e aniquilará tudo o que sobre ela existe.] Ensina ao justo o
que deve fazer, e ao filho de Lamec a preservar sua alma para a vida e a
escapar para sempre. E por ele será plantada uma planta e serão
estabelecidas todas as gerações do mundo.»[19]
«[O Senhor] disse a Rafael: “Vai,
pois, Rafael, e ata Azael de pés e mãos e arremessa-o nas trevas! [Cava
um buraco no deserto de Dudael e atira-o ao fundo! Deposita pedras ásperas
e pontiagudas por baixo dele e cobre-o de escuridão! Deixa-o permanecer
lá para sempre e veda-lhe o rosto, para que não veja a luz! 4.
No dia do grande Juízo ele deverá ser arremessado ao tremendal de
fogo! Purifica a terra, corrompida pelos Anjos, e anuncia-lhe a Salvação,
para que terminem seus sofrimentos e não se percam todos os filhos dos
homens, em virtude das coisas secretas que os Guardiões revelaram e
ensinaram aos seus filhos! Toda a terra está corrompida por causa das
obras transmitidas por Azazel. A ele atribui todos os pecados!”]»[20];
«E a Gabriel disse o Senhor: “Vai
aos bastardos e aos filhos da fornicação e destrói os filhos dos
Vigilantes dentre os filhos dos homens; mete-os em uma guerra de destruição,
pois não haverá para eles longos dias. Nenhuma petição a seu favor
será concedida a seus pais; pois esperam viver uma vida eterna, ou que
cada um deles viverá quinhentos anos”. E a Miguel disse o Senhor: “Vai,
Miguel, e anuncia a Shemihaza e a todos os seus amigos que se uniram com
mulheres para contaminar-se com elas em sua impureza, que seus filhos
perecerão e eles verão a destruição de seus queridos; acorrenta-os
durante setenta gerações nos vales da terra até o dia grande de seu
juízo. [Nesse dia, eles serão]»[21]
(condenados a) «tortura e ao fechamento na prisão eterna. Tudo o que
seja condenado estará perdido desde agora; será acorrentado com eles
até a destruição de sua geração. E no tempo do juízo com que eu
julgarei, perecerão por todas as gerações. Destrói todos os espíritos
dos bastardos e dos filhos dos Vigilantes, porque fizeram operar o mal
aos homens. Destrói a iniqüidade da face da terra, faz perecer toda
obra de impiedade e faz que apareça a planta da justiça; ela será uma
bênção e as obras dos justos serão plantadas no gozo para sempre.
Naquele tempo todos os justos escaparão e viverão até que engendrem
milhares. Todos os dias de vossa juventude e de vossa velhice se
completarão em paz.”»[22] VII
- 1.
[Enoch havia desaparecido, e nenhum dos filhos dos homens sabia
onde ele se encontrava, onde se ocultava e o que era feito dele. O que
ocorrera é que ele havia estado junto dos Guardiões e transcorreu os
seus dias na companhia dos Santos. 2. Eu, Enoch, ergui-me e
louvei o Senhor da Majestade e Rei do mundo. Então os Guardiões
(santos) me chamaram, a mim Enoch, o Escriba, e disseram-me: “Enoch,
tu, o Escriba da Justiça, vai e anuncia aos Guardiões do céu que
perderam as alturas do paraíso e os lugares santos e eternos, que se
corromperam com mulheres à moda dos homens, que se casaram com elas,
produzindo assim grande desgraça sobre a terra; anuncia-lhes: ‘Não
encontrareis nem paz nem perdão’. Da mesma forma como se alegram com
seus filhos, presenciarão também o massacre dos seus queridos, e
suspirarão com a desgraça. Eles suplicarão sem cessar, mas não obterão
nem clemência nem paz!”] XIII
- 1.
[Então Enoch encaminhou-se até eles e assim falou a Azazel:
“Tu não terás a paz. Uma sentença severa recaiu sobre ti: deverás
ser acorrentado. Não alcançarás indulgência nem será aceita a
intercessão, por causa dos atos violadores que ensinaste a praticar, e
por causa de todas as obras blasfemas, da violência e dos pecados que
mostraste aos homens.” Então eu redigi a palavra a todos eles. Todos
encheram-se de grande medo e foram tomados de pavor e tremor.
Suplicaram-me que lhes escrevesse um rogo intercessório, para que
pudessem obter o perdão, e que eu lesse o seu pedido na presença do
Senhor dos céus. Pois a partir de então não lhes era mais permitido
falar com ele nem levantar seus olhos para o céu, de vergonha pelos
seus delitos, pelos quais foram castigados. Assim eu redigi o seu rogo]
«com todas as suas petições, por suas almas, por todas e cada uma de
suas obras e por todos o que pediam: que houvesse para eles perdão e
longevidade. Fui e me sentei junto às águas de Dã, na terra de Dã,
que está ao sul do Hermonim, ao seu lado oeste, e estive lendo o livro
de anotações de suas petições até que dormi. Eis que me vieram
sonhos e caíram sobre mim visões até que levantei minhas pálpebras
às portas do palácio do céu [...] E vi uma visão do rigor do
castigo. E uma voz veio e me disse: Fala aos filhos do céu para
repreendê-los. Quando despertei, fui a eles. Todos eles estavam
reunidos juntos e sentados e chorando em Abel-Maya (a Fonte do Pranto)
que está entre o Líbano e Senir, com os rostos cobertos.»[23];
«Eu contei diante deles todas as visões que havia visto em sonhos e
comecei a falar com palavras de justiça e de visão e a repreender os
Vigilantes celestes.»[24] XIV
1.
[Este é o] «livro das palavras da verdade e da repreensão
dos Vigilantes que eram desde sempre, segundo o que ordenou o
Grande Santo no sono que sonhei. Nesta visão eu vi em meu sonho o que
agora digo com a língua carnal, com o alento de minha boca, que o
Grande deu aos filhos dos homens para que falem com ela e para que
compreendam no coração. Assim como Deus destinou e criou os filhos dos
homens para que compreendam as palavras do conhecimento, assim me
destinou e fez e criou a mim para que repreenda os Vigilantes, os filhos
do céu. Eu escrevi vossa petição, Vigilantes, e numa visão me foi
revelado que vossa petição não vos será concedida por todos os dias
da eternidade, e que haverá juízo por decisão e por decreto contra vós;
que a partir de agora não voltareis ao céu e não subireis por todas
as idades; e que foi decretada a sentença para acorrentar-vos nas prisões
da terra por todos os dias da eternidade; porém que antes vereis que
todos os vossos queridos irão à destruição com todos os seus filhos;
e as propriedades de vossos queridos e de seus filhos não as
desfrutareis; cairão ante vós pela espada de destruição, pois vossa
petição por eles não vos será concedida, como não vos é concedida
por vós mesmos. Vós continuareis pedindo e suplicando. [...] Não
pronunciareis nem uma palavra do escrito que eu escrevi.»[25] Esses
Vigilantes que “mudaram suas obras” e resolveram ensinar aos humanos
ciências divinas foram responsabilizados não só pelas guerras (que
naquele tempo nem sempre eram vistas como algo ruim) mas também por
terem iniciado ou aperfeiçoado a própria civilização: Semihazah
ensinou “bruxarias, encantos e o corte de raízes, e a revelar-lhes as
plantas”. Nisso se incluía a antiga homeopatia (fabricação de remédios
naturais), já conhecida e rigorosamente aperfeiçoada pelos egípcios
desde tempos remotos; E também a fabricação de venenos – retirados
das plantas – que era uma especialidade daquele período, herdada da
dominação romana. Menos
eficazes, mas nem por isso menos populares, deveriam ser as
“bruxarias” e “encantos”, aos quais alegava-se que serviam para
praticamente tudo que se pudesse desejar, principalmente ganhar
fama, fortuna e atrair o sexo oposto. Geralmente nessas práticas se
ensina que quando o feitiço da errado é 1) porque o praticante não
executou como devia ou 2) porque seu inimigo fez um contra feitiço
anulando o primeiro. Assim Hermoni (et. Armaros) “ensinou a
desencantar, a bruxaria, a magia e habilidades”... Uma segunda versão
em etíope fala sobre outros Vigilantes que, juntamente com Semihazah,
teriam ensinado magia: Kasdeja “ensinou aos filhos dos homens toda espécie
de sortilégios dos espíritos e dos demônios, bem como os malefícios
contra o fruto do ventre materno, para sua expulsão, e os contra a
alma, feitiços contra a picada de cobra, contra a insolação e contra
o filho da serpente, chamado Tabaet. – E esta foi a tarefa de Kasbeel,
que desvelara aos Santos o Juramento supremo, quando habitava no alto da
Glória e se chamava Bika. Este pedira a Michael para transmitir-lhe o
Nome secreto, a fim de que pudesse ser conhecido e empregado nos
juramentos, conquanto aqueles que ensinaram as coisas ocultas aos filhos
dos homens tremessem em face desse Nome e desse Juramento.” (I Enoch
LXIX) Sobre
culinária, alfabetização e leis, é dito que Penemue “ensinou aos
filhos dos homens o doce e o amargo, bem como todos os segredos da sua
sabedoria. Ele também instruiu os homens na escrita com tinta e sobre
papel, e com isso muitos se corromperam, desde os tempos antigos por
todas as épocas, até os dias de hoje. Pois os homens não foram
criados para fortalecer sua honestidade dessa maneira, por meio de pena
e tinta”. (I Enoxh LXIX) Kokab’el
“ensinou os sinais das estrelas. (et. Ciência das constelações)”.
Isso sem dúvida é antiga Astrologia, que incorporava elementos da
astronomia. Esta “ciência” era muito valorizada pois, na antigüidade,
eram os astrólogos que ficavam encarregados de informar sobre a mudança
das estações, da configuração de calendários e outras coisas de
grande utilidade para a vida rural e economia dos reinos. Ainda no campo
da astrologia, parece que Zeq’el, que “ensinou os sinais dos relâmpagos
(Et. Observação das nuvens)” e Baraq’el que “ensinou os sinais
dos raios” ficaram responsáveis pala previsão do tempo... Para
completar o quadro astronômico/astrológico, Shamsi’el “ensinou os
sinais do sol” e Sahari’el “ensinou os sinais da lua. (et. Fazes
da lua)”. Em
auxílio da agricultura, ’Ar‘teqof “ensinou os sinais da
terra”, se era boa ou ruim para o plantio, etc. Tudo isso gerava
grandes facilidades na vida humana que, tendo menos trabalho e mais
tempo livre podia se dedicar a cuidados pessoais, iniciar uma vida
urbana e até mesmo pensar numa expansão através da guerra. É aqui
que entra aquele que apesar de não ser o líder parece ter provocado o
maior dano de todos: ‘Asa’el (hebr. et. e árabe Azazel) “Ensinou
os homens a fabricar espadas de ferro e couraças de cobre e lhes
mostrou o que se escava e como poderiam trabalhar o ouro para deixa-lo
preparado; e quanto à prata, a lavrá-la para braceletes e outros
adornos para as mulheres. Às mulheres revelou acerca do antimônio e
acerca do sombreado dos olhos (Kohol) e de todas as pedras
preciosas e sobre as tinturas”. Aparentemente,
se não fosse pelos insaciáveis filhos vampiros, parece que os
ensinamentos dos Vigilantes não seriam tão condenáveis assim, já que
trouxeram para a humanidade mais bem do que mal... Tanto que um dos
chefes de dezena, Dani’el (et. Danjal) foi adotado posteriormente como
anjo da misericórdia pela tradição cristã, ficando mundialmente
conhecido. Outro mencionado em versões posteriores, Uzza, tornou-se
anjo benéfico para os árabes. De
fato, «o livro apocalíptico dos Jubileus afirma que os
Sentinelas (= Vigilantes) vieram para a Terra e depois pecaram, mas que
seu príncipe, Samael, teria tido a permissão de Yaveh para atormentar
a humanidade».[26]
Entretanto,
o judaísmo posterior e quase todos os primeiros escritores eclesiásticos
viram nesses “filhos de Deus” anjos culpados. Sobre
a posterior condenação, a Segunda versão de I Enoch limita-se a dizer
que «em conseqüência desse Julgamento, eles serão submetidos à angústia
e ao estremecimento por terem desvelado aquelas coisas aos habitantes da
terra.» (I Enoch LXIX). Na
verdade nenhuma das sete cópias fragmentadas do Livro de Enoch (nem das
cinco do Livro dos Gigantes) encontrados nas cavernas de Qumran continha
menção ao “abismo de fogo” descrito no Enoch Etíope, o que
é significativo pois se trata de textos particularmente grandes. É
possível que estes textos sejam acréscimos posteriores de escribas ou
tradutores Coptas – mesmo porque eles se assemelham mais à doutrina
cristã dos primeiros séculos d.C. do que à mitologia judaica/essênia
da época em que foram escritos os Manuscritos do Mar Morto. Uma descrição
mais detalhada deste local de condenação aparece no Livro das
“Similitudes de Enoch” (II Enoch). [Diz o texto: «VII – E
aqueles homens (dois anjos) me tomaram e me conduziram ao segundo céu,
e me mostraram as trevas, mais escuras que as da terra, e eu vi
prisioneiros atados, vigiados, que aguardavam o grande e infinito
julgamento, e esses anjos eram escuros, mais escuros que a escuridão da
terra, e os faziam chorar incessantemente, o tempo todo. – E eu disse
aos homens que estavam comigo: “Por que motivo estão eles sendo
torturados sem parar?” Eles me responderam: “Estes são os infiéis
a Deus, que não obedeceram aos mandamentos de Deus, mas que se
aconselharam segundo sua própria vontade, e se foram com seu príncipe
que também está acorrentado no quinto céu”». ‡ «VVIII
– Os homens levaram-me ao quinto céu e lá me puseram, e vi muitos e
incontáveis soldados, chamados Grigori, de aparência humana, e eram
maiores que os maiores gigantes e suas faces eram sem viço e o silêncio
de suas bocas, perpétuo, e não havia qualquer serviço no quinto céu,
e eu disse aos homens que estavam comigo: “Por que eles são tão sem
viço e suas faces melancólicas, suas bocas silenciosas, e por que não
há serviço neste céu?” Eles me disseram: “Estes são os Grigori,
que com seu príncipe Satanail rejeitaram o Senhor da Luz, e atrás
deles estão os que são mantidos nas grandes trevas do segundo céu, e
três deles foram para a terra vindos do trono do Senhor, para o Ermon,
e quebraram seus votos nas encostas da colina do Ermon e viram como eram
bonitas as filhas dos homens e tomaram-nas por esposas e sujaram o mundo
com suas obras, e durante todo o tempo de sua estada cometeram
ilegalidade e promiscuidade, e nasceram gigantes e impressionantes
homens grandes e grandes inimizades. E por isso Deus jogou-os com um
grande julgamento, e eles choraram por seus irmãos e serão punidos no
grande dia do Senhor.” – E eu disse aos Grigori: “Eu vi vossos irmãos
e suas obras e seus grandes tormentos, e rezei por eles, mas o Senhor
condenou-os a estar embaixo da terra até o céu e a terra se
acabarem”. E eu disse: “Por que razão esperais, irmãos, e não
servis diante da face do Senhor e por que não pusestes vossos serviços
diante da face do Senhor, para que o Senhor não se enraivecesse
tanto?” E eles ouviram minhas admoestações e falaram para as quatro
ordens do céu, e vede: Enquanto eu estava com esses dois homens, quatro
trombetas soaram juntas bem alto, e os Grigori irromperam em um cântico
uníssono, e suas vozes foram até o Senhor cheias de piedade e afeição.»]
Esta versão, descoberta na Rússia em um texto eslavo, foi
provavelmente escrita no Egito no princípio da era cristã e fala da
viagem de Enoch através das diferentes coortes do Paraíso. O
Livro dos Gigantes: Entre
os pergaminhos de Qumran foram encontrados fragmentos de uma obra
conhecida como “Livro dos Gigantes”, que seria uma espécie de
comentário ou complemento ao Livro de Henoc[27].
O Livro dos Gigantes conta que Semihazah, o líder dos Vigilantes, teve
dois filhos de sua esposa humana chamados ’Ohyah e Hahyah. Também
Baraq’el, o nono vigilante chefe de dezena, foi pai de Mahawai. — Além
destes, entre os nomes de gigantes citados entre os fragmentos do mar
morto constam os “amigos” «Hobabes e ADK»[28] A
Segunda versão Etíope narra que Asbeel «deu um conselho aos filhos
dos Anjos, fazendo com que corrompessem os seus corpos com as filhas dos
homens.» (I Enoch LXIX). Assim, seguindo o exemplo dos pais, também
“se contaminaram, os Gigantes e os Nefilim”, tomando esposas para
“engendraram filhos” mas logo não havia alimento suficiente para
todos, o que causou um grande problema entre seus súditos: «Os
gigantes (diziam) que não lhes bastava a eles e a seus filhos (o
alimento oferecido) [...] e pediam muito para comer»[29] «Hobabes
e ADK (perguntavam...): Que me dará para matar?»[30] Por
fim, desesperados de fome, e não podendo ser satisfeitos com o trabalho
humano, os Gigantes começaram a destruir praticamente tudo que
encontraram pela frente: «A impiedade foi grande, e eles erravam em
todos os seus caminhos.»[31]
Um curioso fragmento, menciona esta passagem do ponto de vista do próprio
’Ohyah: «E com o vigor de meu braço e com a força de meu poder
[...] (abati) toda carne, e fiz guerra com eles. Porem não [...]
encontrei apoio para fortalecer-me, pois meus acusadores [...] habitam
nos céus e vivem com os santos, e não (posso
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«Vi
em meu sonho desta noite [...] jardineiros; estavam regando (uma árvore...)
numerosas raízes saíam de seu tronco [...] olhei até que se fecharam
as fontes (... e esgotaram-se) todas as águas e o fogo ardeu em todo (o
tronco...) Aqui se acaba o sonho.»; «Então ’Ohyah, seu irmão,
reconheceu e disse ante os gigantes: Também eu vi em meu sonho esta
noite algo extraordinário: O Poder dos céus descia à terra [...] aqui
acaba o sonho. Então se assustaram todos os Gigantes, e os Nefilim e
chamaram Mahawai e ele veio a eles.» Os
gigantes buscavam quem lhes explicasse o sonho. Por isso suplicaram a
Mahawai e lhe enviaram até Henoc, o escriba distinto, e lhe disseram:
“Escuta sua voz e diz-lhe que te explique e interprete o sonho”[34] Entretanto, a explicação de Henoc anunciava-lhes punição
e morte pela “violência feita aos homens”: «Então castigou e não
a nós, (os justos), mas a Azazel», e também aprisionou e capturou «aos
filhos dos Vigilantes, os Gigantes; e não serão perdoados nenhum de
seus queridos.»[35] Então eles «se prostraram e choraram ante Henoc»[36] — Procurando manter a calma, ’Ohyah disse a Mahawai:
«E não trema. Quem te mostrou tudo?»; Disse Mahawai: «Baraq’el,
meu pai, estava comigo.»; «Apenas havia acabado Mahawai de contar o
que (... Henoc) lhe disse: “Eu ouvi maravilhas. Se uma estéril pode
dar à luz (ainda havia uma chance deles serem perdoados)...”»[37] Mahawai deixou «a terra e cruzou a Desolação, o grande
deserto», Então viu Henoc, chamou-o e lhe disse: «“Pela Segunda vez
eu te peço um oráculo [...] a tuas palavras, junto com todos os
Nefilim da terra”»; «“Que saibamos de ti sua explicação”.»
— Henoc, o escriba distinto, fez cópias em duas pequenas tábuas das
epístulas escrevendo «em uma o testemunho dos gigantes (a Semihaza e a
todos os seus companheiros) e na outra [o testemunho dos santos]». Então
levou as tábuas «com todas as suas petições, por suas almas, por
todas e cada uma de suas obras e por todos o que pediam: que houvesse
para eles perdão e longevidade.» [38]
Mas o perdão lhes foi negado. Disse Henoc: «Sabei
que não (serão perdoadas ...) vossas obras e as de vossas mulheres»;
«(Serão castigadas) elas e seus filhos e as mulheres de seus filhos
(...) por vossa prostituição na terra.»; «E vos acusa a vós, pelas
obras de vossos filhos (...) a corrupção com a qual tendes corrompido
(...) até a vinda de Rafael. Eis que haverá destruição (...) Agora,
pois, desligai vossas correntes (...) e rezai.»[39] || «Que não haja paz para voz.» Depois
de repreender os Vigilantes e seus filhos, Henoc falou aos justos: «Palavras
de bênção com as quais abençoou Henoc, varão justo a quem foi
revelada uma visão do Santo e do céu, pronunciou seus oráculos
dizendo: A visão do Santo do céu me foi revelada e ouvi todas as
palavras dos Vigilantes e dos Santos e, porque o escutei deles, eu soube
e compreendi tudo. Não falarei para esta geração mas para uma geração
futura. Agora falo acerca dos eleitos, sobre eles pronuncio meu oráculo
dizendo: Sairá o grande Santo de sua morada, e o Deus eterno descerá
sobre a terra e irá ao monte Sinai e aparecerá com seu grande exército,
e surgirá na força de seu poder do alto dos céus. Todos os Vigilantes
tremerão e serão castigados em lugares secretos em todas as
extremidades da terra; todas as extremidades da terra se fenderão e
eles serão possuídos de tremor e medo até os confins da terra.
Fender-se-ão e cairão e se dissolverão os altos e as altas montanhas
serão rebaixadas...»[40] A
queda dos anjos vista pelos cristãos: A
tradição da queda dos anjos estava espalhada e existia na época do
nascimento do cristianismo no Egito. Ainda hoje persiste na Síria, no
Egito e na Etiópia, onde existem igrejas cristãs muito diferentes das
nossas. Atualmente, a Igreja Cristã da Etiópia, ou Igreja Copta, mantém
o Livro de Enoque em sua Bíblia, como documento oficial. Entre demais
cristãos atuais é considerado apócrifo, o que não é de estranhar. Os
primeiros padres da Igreja, e os principais pensadores cristãos dos três
primeiros séculos conheciam Enoch. Também a Bíblia não era a que
conhecemos. De acordo com Luther Link, «até
o século IV, Enoch fazia parte do ainda mal definido cânone[41]»; «Familiar para os judeus e primeiros cristãos, Enoch
foi um texto sagrado autêntico para Judas, Clemente, Barnabé,
Tertuliano e outros primeiros padres (embora Jerônimo e Orígenes
fizessem ressalvas). A influência desse livro foi tamanha que ele
chegou citado até mesmo por críticos pagãos, como Celso, que estudou
as Escrituras. Muitos conceitos cristãos tem sua primeira ocorrência
em Enoch.»[42]; «Essa interpretação influente apresentada por muitos
dos primeiros padres da Igreja é uma razão para Enoch ter sido
excluído do cânone. Eis o que os primeiros padres escreveram: Justino,
martirizado em Roma em 165 d.C., explicou que alguns anjos violaram a
ordem apropriada das coisas, cederam a impulsos sexuais e tiveram relações
com mulheres, cujos filhos agora chamamos de demônios (Justino, Apologia,
II, 2-6). Esses demônios são a causa de assassinatos, adultérios e
todos os outros males. Atenágoras, outro apologista cristão grego,
escreveu (em 177) que o Diabo foi criado por Deus exatamente como Ele
criara os demais anjos. O homem possui o livre-arbítrio para escolher
entre bem e mal, e o mesmo vale para os anjos. O homem possui o
livre-arbítrio para escolher entre bem e mal, e o mesmo vale para os
anjos. Mas no passado alguns anjos sentiram desejo por virgens,
tornaram-se escravos da carne, tiveram relações sexuais com elas e
nasceram-lhes filhos que eram gigantes. Junto com as almas desses
gigantes, os anjos que caíram do Céu assombram o ar e a terra; são os
demônios que vagam pelo mundo (Antenágoras. Plea, 24). Clemente
de Alexandria, outro apologista importante, foi um pensador flexível e
sutil na virada do século II. Condenado no século IX como herege pelo
patriarca ilegalmente consagrado Fócio, Clemente foi eliminado do
martirológio romano. Ele supôs que as verdades da filosofia grega
haviam sido roubadas pelos gregos dos hebreus. Tanto os textos gregos
como os hebreus misturam verdade e erro, sendo o Diabo a origem da
confusão (Clemente. Stromateis, V, I, 10, 1-3). Em última análise,
argumentou Clemente, todas as verdades da filosofia provêm dos anjos caídos;
essa idéia deriva de Enoch.»; «Tertuliano[43], como Clemente, acreditava que os anjos celestes que
tinham mantido relações sexuais com as filhas dos homens, tal como
descrito em Enoch, revelaram muitas artes secretas, inclusive o
mistério do kohl. Em prosa evocativa, Tertuliano serve-se de uma
sentença de Enoch (cap. 8) e a expande para explicar que os anjos caídos
ensinaram às mulheres: «A
radiância de pedras preciosas que com que se ornam colares em cores várias,
os braceletes de ouro que envolvem seus braços, as preparações
coloridas que se usam para tingir lã, e o pó negro [...] para realçar
a beleza de seus olhos.» (Tertuliano. The apparel of women,
2,1.) Tertuliano
fez inúmeras referências a Enoque. Em sua célebre Apologia,
por exemplo, ele interpreta o Gênesis à luz de Enoch
quando escreve que as Escrituras nos dizem que “alguns anjos
perverteram-se e originaram uma raça ainda mais corrompida de
Diabos”. Ele e outros primeiros padres aceitaram a idéia dos anjos
pervertidos porque interpretaram o capítulo 6 do Gênesis à luz
de Enoch.»[44] Entretanto,
nem todos estavam satisfeitos com isso: «Anjos, “os Filhos de
Deus”, mantendo relações sexuais com mulheres, as filhas dos homens,
era algo que requeria comentário. Os autores judeus interpretaram
“filhos de Deus” como filhos de príncipes e nobres. Alguns cristãos,
entre eles santo Agostinho, julgaram que a expressão significava homens
piedosos que são espiritualmente os filhos de Deus. Tanto os autores
judeus como os cristãos evitaram o significado óbvio: que alguma
barreira entre os filhos de Deus e os filhos dos homens foi rompida, não
por vontade divina mas por desejo sexual.»[45] Nessa
época, até mesmo aqueles anjos que não “caíram” estavam causando
prejuízos para a igreja cristã... Santo Agostinho, em seu tempo de
pregação, enfrentou um problema causado pela grande popularidade dos
anjos: As pessoas estavam fazendo-lhes sacrifícios, orando, etc. e isto
estava meio que fora de controle. Por isso ele tentou reduzir os anjos
à forma mais abstrata possível e pregava ao público: «Sejam quais
forem, por conseguinte, os bem aventurados imortais habitantes das mansões
celestes, se não tem amor por nós, se não desejam nossa felicidade, não
merecem nossa homenagem. Se nos amam, se querem nossa felicidade, querem
sem dúvida que a recebamos da mesma fonte que eles»; «Legítimos
habitantes das moradas celestes, os espíritos imortais, felizes pela
posse do Criador, eternos por sua eternidade, fortes de sua verdade e
santos por sua graça, tocados de compulsivo amor por nós, infelizes e
mortais, e desejosos de partilhar conosco sua imortalidade e beatitude,
não, querem que sacrifiquemos a eles, mas Àquele que sabem ser, como nós,
o sacrifício [ou seja, Jesus Cristo]. Porque somos com eles uma só
Cidade de Deus.»; «Quanto aos milagres, sejam quais forem, operados
pelos anjos ou por qualquer outro modo, se se destinam a glorificar o
culto da religião do verdadeiro Deus, princípio único da vida bem
aventurada, devem ser atribuídos aos espíritos que nos amam com
verdadeira, é preciso acreditar ser o próprio Deus quem neles e por
eles opera.»; «... Aquele cuja palavra é espírito, inteligência,
eternidade, palavra sem começo e sem fim, palavra ouvida em toda a
pureza, não pelos ouvidos do corpo, mas do espírito, por intermédio
de seus ministros, enviados que gozam de sua verdade imutável, no seio
de eterna beatitude, palavra que lhes comunica de maneira inefável as
ordens que devem transmitir à ordem aparente e sensível, ordens que
executam sem demora e facilmente.»; «Assim, mostram-nos os anjos fiéis
com que sincero amor nos amam; com efeito, não é à sua própria
dominação que querem submeter-nos, mas ao poderio daquele que são
felizes de contemplar, soberana beatitude a que desejam cheguemos também
e de que não se apartam.» (De civitate Dei, X). Os
anjos eram tão populares que, apesar das Escrituras não darem uma
descrição precisa a respeito da “hierarquia celeste”, estudiosos
cristãos esforçaram-se para descrever um quadro bem definido. (Podemos
ver que estas descrições de autores cristãos foram bastante
influenciadas pela filosofia platônica, aristotélica e textos gregos
em geral, se afastando em muito do sentido original dos “bene ha’
Elohim”, principalmente nos comentários referentes aos demônios).
A fonte mais abalizada para a obtenção de uma angelologia cristã é
Pseudo-Dionísio, o Areopagita. Seus tratados Gerarchia celeste,
Gererchia ecclesiastica, Nomi divini e suas Epistole formaram
um corpo que granjeou a estima de muitos, inclusive Gregório Magno, são
Tomé, a Escolástica, Dante, Meister Eckhart e são João da Cruz. Seu
texto Gerarchia celeste é o mais conhecido e apreciado da
angelologia cristã. Dionísio estabeleceu que existem nove ordens
celestes, subdividas em três ordens principais: A primeira é aquela
que está sempre na presença de Deus e inclui os Tronos e suas legiões
‘com muitos olhos e muitas asas’ (os Querubins e os Serafins) A
Segunda ordem inclui os Poderes, as Dominações e as Virtudes; a
terceira os Anjos, os Arcanjos e as Potestades. Foi só com Dionísio e
Tomás de Aquino que o número das hierarquias foi estabelecido e
tornou-se praticamente definitiva nas obras posteriores de autores
cristãos. — Seguindo a linha de Dionísio, Tomás de Aquino faz
uma longa descrição das hierarquias celestes na Suma contra os gêntios[46]: «Como
as coisas corporais estão governadas pelas espirituais, segundo consta,
e entre as corporais existe uma certa ordem, é mister que os corpos
superiores sejam governados pelas substâncias intelectuais superiores,
e os inferiores pelas inferiores. Além disso, porque quanto mais
superior é uma substância, tanto mais universal é sua virtude. Logo,
a virtude da substância intelectual é mais universal que a virtude
corpórea; e por conseguinte, as substâncias intelectuais superiores
possuem virtudes que não podem ser desempenhadas por virtude corporal
alguma, e por isso não estão unidas a corpos; já que as inferiores
possuem virtudes parciais e que podem ser desempenhadas por alguns
instrumentos corporais, dessa forma, é preciso que estejam unidas aos
corpos. E
como as substâncias intelectuais superiores tem uma virtude mais
universal, por isso também estão mais perfeitamente dispostas por
Deus, de maneira que conhecem com detalhe a finalidade da ordem que Deus
lhes comunica. E esta manifestação da ordenação divida, realizada
por Deus, chega inclusive às substâncias intelectuais mais inferiores,
como confirma [a palavra] de Jó: “Inumeráveis são Seus servidores,
e sobre qual deles não resplandece Sua luz?” (Jó 25:3). Não
obstante, as inteligências inferiores não a recebem de maneira tão
perfeita que possam conhecer com detalhe quanto hão de executar em
vista do ordenado pela providência, mas somente em geral; pois, quanto
mais inferiores são, menos conhecimento detalhado da ordem divina
recebem ao serem iluminadas pela primeira vez; entretanto, o
entendimento humano, que possui o último grau do conhecimento natural,
só tem notícia de algumas coisas universalíssimas. Assim,
pois, as substâncias intelectuais superiores recebem imediatamente de
Deus um conhecimento perfeito da ordem divina e, em conseqüência, o hão
de comunicar às inferiores, tal como, segundo dissemos, o conhecimento
universal do discípulo é aperfeiçoado pelo mestre, que conhece com
detalhe. Por isso, Dionísio, falando das supremas substâncias
intelectuais, que chama primeiras hierarquias, em outras palavras,
sagrados principados, disse que não são santificadas por outras, mas
que alcançam imediatamente e plenamente de Deus a santidade, e,
enquanto cabe, são transportadas à contemplação da beleza imaterial
e invisível e ao conhecimento dos motivos das obras divinas; e disse
que por elas são doutrinadas as ordens subalternas de espíritos
celestes. Segundo ele, as inteligências mais elevadas recebem do princípio
mais alto a perfeição de seu conhecimento. [...]» «Assim,
pois, aquelas inteligências que percebem imediatamente em Deus o
conhecimento perfeito da ordem da divina providência estão dispostas
numa certa hierarquia, porque os superiores e primeiros vêem a razão
da ordem da providência — em si mesma - o último fim, que é a
bondade divina; porém uns com maior clareza que outros. E estes se
chamam Seraphim, i. e., ardentes ou incandescentes, porque
o incêndio designa a intensidade do amor ou do desejo, que são duas
tendências em relação ao fim. Por isso disse Dionísio que com este
nome se designa sua rapidez ou eterno movimento em torno da divindade,
fervente e flexível, e sua capacidade de influenciar os seres
inferiores excitando-os a um sublime fervor à divindade[47]. Os
segundos conhecem perfeitamente a razão da ordem da providência na
imagem mesma de Deus. E se chamam Cherubim, que quer dizer
plenitude da ciência, já que a ciência se aperfeiçoa pela forma
cognoscível. Por isso disse Dionísio, que tal nome significa que são
contempladores da primeira virtude operante da divina beleza[48]. Dessa
forma, os terceiros contemplam a disposição das ordens divinas nelas
mesmas. E se chamam Throni, porque trono significa o poder
de julgar, segundo o dito: "Te sentas no trono e distribui justiça"
(Salmos 9:5). Conforme isso, disse Dionísio que com este nome se
declara que são portadores divinos e tomam parte familiarmente em todas
as determinações divinas[49].
[...] Por
outra parte, entre os espíritos inferiores que para executar a ordem
divina recebem das superiores um conhecimento perfeito é preciso
estabelecer uma ordem. Pois os mais altos deles tem uma virtude mais
universal do conhecimento; por isso conhecem a ordem da providência nos
princípios e causas mais universais enquanto os inferiores o obtêm em
causas mais particulares. [...] Também
estas substâncias intelectuais (i. e. os anjos da Segunda hierarquia) hão
de ter certa ordem. Porque, efetivamente a disposição universal da
providência se distribui, em primeiro lugar, entre muitos executores. E
isso se realiza pela ordem das Dominationum, pois é próprio
dos senhores mandar o que hão de executar os outros. Por isso disse
Dionísio que este nome (de) dominação designa certo senhorio que
rejeita toda servidão e que é superior a toda submissão. Em
segundo lugar, a providência é distribuída e aplicada a vários
efeitos pelo que age e executa. E isso se faz mediante a ordem das Virtutum
[virtudes], cujo nome, segundo Dionísio, significa certo augusto poder
aplicado à todas as obras divinas, que não abandona a nenhum movimento
a sua própria debilidade. E isso demonstra que o princípio universal
da atividade pertence à esta ordem. Segundo isso, parece que movimento
dos corpos celestes, dos quais procedem, como de certas causas
universais, os efeitos particulares da natureza, pertence à esta ordem.
Por este motivo se chamam virtudes celestes no cap. 21 de S. Lucas, onde
diz: “Se moveram as virtudes celestes”. Parece também que a execução
das obras divinas que se realizam à margem da ordem natural pertence à
esta classe de espíritos, porque tais obras são o que há de mais
sublime nos mistérios divinos. Por esta razão diz S. Gregório que
“se chamam virtudes aqueles espíritos que freqüentemente fazem
coisas milagrosas” (Homil. 34). Por fim, se no cumprimento das ordens
divinas há algo principal e universal, é conveniente que pertença à
esta ordem. Em
terceiro lugar, a ordem universal da providência, estabelecida já nos
efeitos, é preservada de toda confusão pela coerção exercida sobre
aquilo que poderia perturbá-la. Coisa que corresponde à ordem das Potestatum
[potestades]. Por isso disse Dionísio que o nome de potestade implica
certa ordenação, bem disposta e sem confusão alguma acerca do
estabelecimento por Deus. E por isso disse S. Gregório que corresponde
a esta ordem o conter das forças opostas. As
últimas das substâncias intelectuais superiores são aquelas que
conhecem divinamente a ordem da providência através das causas
particulares, e são as imediatamente superiores às coisas humanas.
Sobre elas Dionísio disse que esta terceira ordem de espíritos manda,
por conseguinte, nas hierarquias humanas. E por coisas humanas se há de
entender todas as naturezas inferiores e causas particulares que estão
ordenadas ao homem e sujeitas a seu serviço. Aqui
também existe uma ordem. Pois nas coisas humanas existe certo bem
comum, que é o bem da cidade ou dos cidadãos, e que, ao parecer,
pertence a ordem dos Principatuum [principados]. Por isso,
disse Dionísio que o nome de principados significa certa categoria de
caráter sagrado. Conforme isso, Daniel fez menção de Miguel, príncipe
dos judeus e príncipe dos persas e gregos (Dan. 10, 13-20). Segundo
isso, a disposição dos reinos, a transmissão de poder de um povo a
outro, deve pertencer ao ministério desta ordem. Inclusive a inspiração
daqueles que são príncipes entre os homens com respeito a como hão de
administrar seu governo, parece que corresponde à esta ordem. Há,
porém, outro bem humano que não é comum, mas individual, ainda que não
se utilize em benefício próprio, mas em benefício de muitos: Como as
coisas de fé, que todos e cada um hão de crer e observar; o culto
divino, etc. E isto corresponde aos Archangelos
[arcanjos], de quem disse S. Gregório que anunciam o maior; razão
porque chamamos arcanjo a Gabriel, que anunciou a encarnação do Verbo
à Virgem. Há,
também, certo bem humano que pertence a cada um em particular. E os
bens desta classe correspondem à ordem dos Angelorum
[anjos], que, segundo S. Gregório, anunciam as coisas pequenas; e por
isso se chamam custódios dos homens, segundo o dizer do salmo: “Te
encomendará a seus anjos para que te guardem em teus caminhos” (Sl.
90;11). Por isso, disse Dionísio que os arcanjos são intermediários
entre os principados e os anjos, e tem como ambos algo em comum; dessa
forma, com os principados, enquanto que são chefes dos anjos
inferiores, (...) e com os anjos, porque anunciam aos anjos e, mediante
estes — cujo ofício é manifestarem-se aos homens —, a nós o que
lhes corresponde segundo a categoria. Por este motivo a última ordem se
apropria do nome comum como especialmente seu, porque desempenha o ofício
de anunciar aos homens sem intermediários. Daí que os arcanjos tem um
nome composto pelos dois, pois se chamam arcanjos, i. e., príncipe dos
anjos. (...) Por
último, em todas as virtudes ordenadas é comum que todas as inferiores
obrem em virtude da superior. Segundo isso, o que dissemos que pertence
à ordem dos serafins o executam as inferiores na virtude dos mesmos. E
isso se aplica também às ordens seguintes.» São
Tomás de Aquino fala sobre os anjos em outras partes de sua vasta obra,
como por exemplo, nos seguintes trechos da Suma Teológica: «Nos anjos
(lat. angelis) não pode haver outra virtude senão a intelectiva
e a vontade, conseqüente ao intelecto, porque nisso consiste toda a
virtude do mesmo. A alma [humana], porém, tem muitas outras potências;
assim, as sensitivas e as nutritivas. E portanto, não há
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Com
isso, misturando um bom bocado de filosofia grega nos farrapos que
restavam da tradição judaica dentro do cristianismo, negou-se que os
anjos tivessem corpos e, portanto, não poderiam ter tido relações
sexuais com ninguém. — Luther Link continua: «No século V santo
Agostinho afirmou, confiante: “Não há dúvida quanto ao fato de
esses ‘anjos’ serem homens, e não, como crêem alguns, criaturas
diferentes de homens”. Em nossa época, assim como na de santo
Agostinho, quando as pessoas dizem “não há dúvida”, geralmente há...
Santo Agostinho argumenta que os “filhos de Deus” eram anjos apenas
no espírito, por isso se permitiram a perda da graça. Antes da queda,
essas pessoas potencialmente superiores tiveram filhos não em conseqüência
de seu arrebatamento sexual, mas com o intuito de “povoar de cidadãos
a cidade de Deus”: «Seja
como for, eu nem sonharia em crer que foram os santos anjos de Deus a
sofrer tal queda no presente caso [...] e não é preciso apelar para os
textos que se apresentam sob o nome de Henoch e contêm as fábulas
sobre gigantes [nem] a alguns textos sob os nomes de vários profetas e
apóstolos que são divulgados por hereges.» Enoch
tornou-se um instrumento de hereges. Mas o que santo Agostinho não nos
diz – e que de fato apenas estudos recentes revelaram – é que
algumas seções desse livro, nos quais se mencionam gigantes, haviam
sido “apropriadas” ou “tomadas antecipadamente” pelos mesmos
maniqueístas que haviam ensinado santo Agostinho e a quem este depois
repudiou. Bastou que santo Agostinho estigmatizasse esse livro como herético
para que ele ficasse eficazmente enterrado por um milênio.»[50] — Essa tática
de substituição de uma mitologia por outra foi tão bem sucedida
que até no princípio do século XX havia quem se escandalizasse com
aqueles que defendiam as idéias do livro de Enoch: «Mas
e estes “filhos de Deus”? Dando crédito aos exegetas autorizados da
Bíblia, os anjos teriam descido do céu de Deus para fazer amor as
mulheres e engravida-las! Uns soldados salafrários, estes anjos!
Honestamente, não podemos, a não ser que pensemos que o céu é um
covil de bandidos, aceitar esta explicação sacrílega, visto que é
difícil conceber anjos não apenas “levados pelo namoro”, mas
capazes de fisicamente satisfazerem os seus desejos. Seriam os anjos
seres materiais? Sexuados como nós, mais do que nós, invadidos pelo
demônio da concupiscência?»[51] Mas
nem assim o problema estava
inteiramente resolvido. Havia ainda um fragmento da queda dos anjos
no Gênese que desde então passou a ser considerado pelos exegetas,
como de difícil compreenção. — Evidentemente, dizer que os “filhos de Deus” não fizeram o
que diz em Enoch seria também negar o próprio livro da Gênese, que
conta resumidamente a mesma história... O remédio seria então mudar a
identidade dos “filhos de Deus”. (Que grandes atrativos poderia ter
o servisso divino se um expressivo grupo de 200 anjos preferiu deixa-lo
– conscientes de que sofreriam uma horrível punição futura
– só para fazer sexo com fêmeas humanas?) Era necessário dar uma
explicação simples e compreensível, adequada ao povo. Por isso, a
partir do século IV, em função de uma noção mais abstrata da
natureza angélica, a literatura patrística começou a ver os “filhos
de Deus” como a linhagem piedosa de Set, (que são espiritualmente os
filhos de Deus) e as “filhas dos homens” como a descendência
depravada de Caim. Livros
apócrifos, como o Combate de Adão e Eva, traduzido do etíope,
insurgiram-se contra a natureza divina dos pais dos Nenfelin: «E
os antigos sábios escreveram sobre eles, dizendo que os anjos desceram
dos céus e se ligaram com as filhas de Caim e que delas nasceram
gigantes. Mas
enganam-se quanto a isto; não é verdade que os anjos, que são espíritos,
se misturem pecando com os homens... Mas, de acordo com a sua essência
e natureza, eles não são nem macho nem fêmea, mas puros espíritos,
os quais, a partir da sua queda, se tornaram negros.»[52] Apesar
de tudo, talvez a associação da descendência de Caim com Semijazah e
seus anjos tenha sido uma boa escolha pois, como já vimos, Caim e seus descendentes também foram “responsabilizados”
pela construção das primeiras cidades: Assim como os anjos, eles teríam
criado a vida urbana, a civilização e a guerra. Tubalcaim foi “o
pai de todos os laminadores”;
Outros formaram as castas dos criadores de gado, dos músicos, dos
ferreiros, das meretrizes, etc. O próprio nome “Caim”
vem de uma raiz que significa “produzir; adquirir; comprar”. Eles
estavam destinados ao comércio. — No entanto, a parte mais lembrada
da história de Caim era sem dúvida o episódio do assassinato de Abel. Na
verdade, se levarmos em conta o fato da tradição nomear personagens bíblicos
de acordo com a personalidade dos mesmos, parece que para os primeiros
judeus, Abel não foi uma vítima tão desmerecida quanto pretende o
texto da “Sabedoria de Salomão” e o “Novo Testamento” cristão,
pois a exegese e a etimologia das palavras revelam um Abel muito
diferente do que costumamos ter em mente: Abel (Hêbel, em
Hebraico) significa vapor ou vaidade. Hêbel (Abel)
é uma palavra que expressa em hebreu tudo aquilo que é fugaz,
passageiro, rápido. A imagem do vento é usada para retratar a ilusão,
a frustração, o sonho, o nada, o vazio. Segundo o Dicionário Thesarus,
de Genesius — Abel (Hêbel) é um nome baseado em diversos
sons: Hab-Hav-Av-Bal-Habál. Estes sons formam uma série de
conceitos, inspirados na imagem do vento e do sopro. O plural hebráico
de Hêbel é Habelím. Os profetas israelitas chamam os ídolos
pagãos de Habelím, nome depreciativo e irônico que quer dizer:
os ídolos são vento, sopro, fumaça, futilidade, ilusão, estupidez,
inutilidade, nada. Hêbl significa também luto. Não qualquer
luto, mas as dramáticas demonstrações de pesar e dor próprias dos
orientais, luto cheio de gritos e lamentos. José fez luto por seu
pai Jacó durante setenta dias, chorando com todo o Egito. O último
Cap. do Gênesis descreve o episódio. Foi tão impressionante que os
povos cananeus deram ao lugar o nome de Êbel Mitsráim, ou seja,
o luto dos egípcios. O
Eclesiastes, nos fornece mais detalhes sobre a significação de Hêbel.
Querendo sintetizar todas as suas frustrações, o rei exclamou:
“Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.” Em hebreu, a frase soa
assim: Habél Habalim Ha.Kol Habel. As traduções dizem: Vaidade
das vaidades, tudo é vaidade, mas podemos multiplicar as variantes:
ilusão das ilusões, fumaça e mais fumaça, nada sobre nada, mentira e
mais mentiras, vento e apenas vento, frustração em cima de frustração,
sopro que some no ar, luto e nada mais que luto, aborto de ilusões.
Todas essas idéias estão contidas no texto e no contexto do
Eclesiastes, além de muitas outras, sugeridas pela etimologia de Hêbel,
ou seja, pela imagem do sopro e do vento. Repare que Salomão repete três
vezes a palavra: Habél – Habalim – Habel. O
grito de Salomão no Eclesiástes, é o grito da tragédia humana,
sintetizando toda a dor do homem em todos os tempos. O nome de Abel (Hêbel)
como sinônimo de frustração e desgraça, aparece ainda em diversos
outros lugares da Bíblia. Para ninguém por em dúvida o sentido da
palavra, ela vem acompanhada de vários sinônimos paralelos: TÔHU
:
deserto, vazio, nada, devastação, ruínas. “Por nada e por vento
consumi minhas forças.” (Isaías 49, 4) “Le.thôhu ve.hêbel kohí
kilêti.” SHAV
:
caos, nada, vazio, ruínas, deserto, inutilidade, desagraça,
tempestade, calamidade, mal, tragédia, fraude, engano, mentira,
falsidade. “Odeio os que cultuam ídolos falsos.” (Salmo 31,7) “Çanêti
ha.shomrím habelêi shav.” RE'ÚT
:
tentativa, busca, esforço inútil, frustração. “Frustração e
esforço inútil do espírito.” (Ecl 4,4) “Hêbel u.re'út rúah.” 'INIÂN
:
preocupação, cuidado, esforço sem resultados, frustração. “Ilusão
e preocupações aflitivas.” (Ecl 4,8) “Hêbel ve.'iniân rá'
hu.” RA'ÓN
: plano fracassado, sonho,
expectativa inútil. “Decepção e expectativa inútil do espírito.”
(Ecl 4, 16) “Hêbel ve.ra'ôn rúah.” DEBARÍM
MARBÍM :
palavrório, tagaralice, palavras e mais palavras. “Palavreado inútil”
(Ecl 6, 11) “Debarín marbím Hêbel.” O
termo “hebêl”, na Bíblia, está sempre em “má
companhia”. Jeremias, os Salmos e principalmente o Eclesiástes, como
também Jó e Isaías, dão-nos o pior dos retratos de seu
significado... E é esse o Abel que Caim eliminou da face da terra: O símbolo
das frustrações e desilusões da humanidade. Possivelmente,
na mais antiga tradição, o irmão de Caim devia ser visto como uma espécie
de idólatra. Podemos dizer que ele era uma espécie de mestre das
mentiras e dissimulações. Em conseqüência, Caim pode ter agido como
uma espécie de go∙’él had-dám (hebr. Vingador de
sangue)[53]. Entretanto, bem antes do conjunto das escrituras ficar
estabelecido, o ato de Caim já era visto como homicídio culposo: «[Da
sabedoria] se afastou, em sua cólera, um injusto [Caim], arruinou-se em
sua senha fraticiada. Por sua culpa a terra foi submersa, e outra vez a
Sabedoria a salvou, pilotando o justo [Noé] numa frágil embarcação.»
(Sabedoria 10:1-4) De
qualquer forma, o papel de construtor, inventor, gerreiro e comerciante
de Caim e seus filhos foi preservado. O
pesquisador francês Alberto Cousté fez um levantamento de antigas
lendas sobre os descendentes de Caim até o tempo do Rei Salomão e
descobriu que o então “herdeiro” da maldição seria o arquiteto Hiram
Abi.[54]
[1]
Como acontece com muitos outros elementos das tradições religiosas de
Israel, a origem do conceito dos bene ha’ Elohim pode
ser buscada nas tradições canaanitas do século XIV a.C., que ficou
gravada em placas de argila em escrita cuneiforme. Nos escritos, epopéias
e textos rituais da antiga cidade de Ugarit, no litoral sírio, a
expressão banu ili ou banu ili-mi ocorre com freqüência.
No panteão caanita, o deus principal é El, cujo nome significa
literalmente “Deus”. Ele e sua esposa Acherá são o pai e a
mãe dos deuses. A expressão banu ili-mi pode ser traduzida
literalmente como “Os Filhos – ou descendentes – de El”. (Além
dos textos de Ugarit, já foram encontradas inscrições fenícias dos séculos
VIII e VII a.C. mencionando os Filhos de Deus e uma inscrição amonita
do século IX a.C. descoberta em Amã, Jordânia; O que prova que o
conceito de Filhos de Deus esteve presente nas tradições canaanitas
durante um tempo bastante extenso). [2]
Aqui o texto massorético (texto hebraico aceito), substituiu a
expressão original “filhos de Elohin” por “Filhos de
Israel”. || Em muitos pontos, a versão grega das escrituras,
conhecida como Septuaginta, traduziu a expressão hebraica “bene
ha’ Elohim” por “aggelon theu”, o que acabou por dar
no latim “Angelorum”. A palavra grega “ággelos”
significa mensageiro, por isso a palavra “Anjo” passou do latim para
as línguas deste derivadas trazendo muito mais acentuada a idéia de
mensageiro do que qualquer outro aspecto da personalidade ‘angélica’.
De fato, há referência de anjos que executaram o papel de mensageiros
(hebr. “Malachim”) tanto nas escrituras hebraicas e árabes
quanto nas cristãs; mas a atividade dos ‘anjos’ nunca se resumiu
apenas a isso. Nos antigos escritos hebraicos, midraxes, etc.
haviam “bene ha’ Elohim” para tudo. Por exemplo, haviam
anjos para dirigir nações, cuidar do movimento dos astros, transmitir
conhecimento aos profetas, guiar os estudantes da Mercabá através dos
sete Hehalot, testar os homens através do ciúme, enviar pragas
e morte aos infiéis, etc. Por isso, ao invés de interpletar bene
ha’ Elohim como “mensageiro de Deus”, seria muito mais
apropriado traduzir a expressão em sua forma literal: “Filhos de
Elohim”. [3]
Duração máxima a que Deus reduziu a vida humana, segundo esta fonte
javista. [4]
Designação das divindades às quais é contraposto o ardor temível do
sol. — Em lugar de “sombra protetora”, o grego tem “época
(favorável)”. [5]
Em 2 Samuel 21, é um guerreiro de nome Elanã que derrota Golias. Essa
história nos soa mais familiar em 1 Samuel 17, onde Davi luta contra
Golias. Segundo Ronald S. Hendel (Para Compreender os Manuscritos do
Mar Morto), esse é um exemplo de história que na tradição oral
“deriva” de um herói menor para um maior. [6]
Uma nota de pé de página da Bíblia de Jerusalém acrescenta
que «Este “leito de ferro” (ou de basalto ferruginoso) era talvez
um dos dólmens que se podem ver na região de Amã. — Nove côvados
eqüivalem a cerca de 4m.» [7]
Hershel Shanks (org). Para Compreender os Manuscritos do Mar Morto.
Imago. [8]
O texto completo, em português, aparece no apêndice de “Os
Documentos do Mar Morto”,
de Burrows. [9]
Os rolos e fragmentos do Mar Morto constituem uma coleção de
manuscritos, descobertos em 1947, e formam uma valiosa biblioteca
conservada da comunidade dos Essênios, em Qumran. Eles estavam
escondidos, por segurança, em cavernas próximas, quando o povoado de
Qumran foi destruído pelos romanos em 70 d.C., já no fim da revolta
judaica contra o domínio romano na Palestina. Os textos foram
preservados pelo clima seco da região, e alguns deles remontam ao século
II a.C. Muitas das obras encontradas, escritos sectários, eram antes
desconhecidas. Todos os livros do Tanach, exceto o de
Ester, foram representados no todo ou em parte, nos Manuscritos do Mar
morto, sendo que encontram quatro rolos completos de Isaías[9][9].
Parece que a popularidade de Isaías era grande em Qumran, assim como
outras obras de natureza apocalíptica sobre o Fim dos Dias. [10]
O estudo filológico mostrou que os originais deste foram escritos
por volta do ano 400 d.C. em grego, e a passagem do aramaico para grego
e posteriormente para etíope sacrificou primeiro o antigo estilo hebreu
detalhista para uma forma abreviada grega e depois o nome dos anjos que
ninguém mais sabia direito como pronunciar. Mas quase tudo pode ser
corrigido com os dados dos textos de Qumran. ‡ O Enoque Etíope é
conhecido de forma completa na Europa desde 1773, quando o explorador
inglês James Bruce trouxe três cópias, que foram rapidamente
difundidas; mas a primeira publicação de excertos do texto etíope de
Enoque, o qual, é o único integral remanescente, só ocorreu em 1800.
A primeira tradução completa foi publicada por Richard Laurence em
Oxford no ano de 1821, gerando novos debates em torno da velha questão:
Se os “filhos de Deus”
que tiveram relações sexual com mulheres eram de fato anjos. [11]
[4QHenoc b. (4Q201 [4QEn b.]), Col. II (= 1 Henoc 5,9-6,4 +
6,7-8,1)] [12]
[4QHenocª (4Q201 [4QEnª]), Col. III (= 1 Henoc 6,4-8,1)] [13]
[4QHenocª (4Q201 [4QEnª]), Col. III (= 1 Henoc 6,4-8,1)] [14]
[4QHenoc b. (4Q201 [4QEn b.]), Col. II (= 1 Henoc 5,9-6,4 +
6,7-8,1)] [15]
[4QHenoc b. (4Q201 [4QEn b.]), Col. III (= 1 Henoc 8,2-9,4)] [16]
[4QHenoc b. (4Q201 [4QEn b.]), Col. III (= 1 Henoc 8,2-9,4)] [17]
[4QHenoc b. (4Q201 [4QEn b.]), Col. III (= 1 Henoc 8,2-9,4)] [18]
[4QHenocª (4Q201 [4QEnª]), Col. IV (= 1 Henoc 8,3-9,3.6-8)] [19]
[4QHenocª (4Q201 [4QEnª]), Col. V (= 1 Henoc 10,3-4)] [20]
[4QHenocª (4Q201 [4QEnª]), Col. V (= 1 Henoc 10,3-4)] [21]
[4QHenoc b. (4Q201 [4QEn b.]), Col. IV (= 1 Henoc 10,8-12)] ‡ O
Texto etíope apresenta a versão: “Nesse dia, eles serão atirados
ao abismo de fogo, na reclusão e no tormento, onde ficarão encerrados
para todo o sempre. E todo aquele que for sentenciado à condenação
eterna seja juntado a eles, e seja com eles mantido em correntes, até o
fim de todas as gerações. Extermina os espíritos de todos os
monstros, juntamente com todos os filhos dos Guardiões, porque eles
maltrataram os homens! Purga a terra de todo ato de violência! Toda
obra má deve ser eliminada!” [22]
[4QHenoc c. (4Q204 [4QEn c.]), Col. V (= 1 Henoc 10,13-19 + 12,3)] [23]
[4QHenoc c. (4Q204 [4QEn c.]), Col. VI (= 1 Henoc 13,6-14,16)] [24]
[4QHenoc c. (4Q204 [4QEn c.]), Col. VI (= 1 Henoc 13,6-14,16)] [25]
[4QHenoc c. (4Q204
[4QEn c.]), Col. VI (= 1 Henoc 13,6-14,16)] [26]
Joan O’ Grady. Satã o Príncipe das Trevas. Editora Mercuryo Ltda.
1991. [27]
Todas as cópias conhecidas desse texto estão muito fragmentadas sendo
impossível reconstitui-lo integralmente. Entretanto, tentei pelo menos
reunir o pouco que sobrou da história emendando passagens importantes
com fragmentos de Enoch para preencher parte das lacunas mais
importantes. [28]
4QGigantesª (4Q203 [4QGiantsª]) Frag. 3 [29]
4QGigantes c (4Q531 [4QGiants c.]) Frag.1 [30]
4QGigantesª (4Q203 [4QGiantsª]) Frag. 3 [31]
[4QHenoc b. (4Q201 [4QEn b.]), Col. III (= 1 Henoc 8,2-9,4)] [32]
4QGigantes c (4Q531 [4QGiants c.]) Frag.2 [33]
4QGigantes c (4Q531 [4QGiants c.]) Frag.2 [34]
4QGigantes b (4Q530 [4QGiants b.]) - Col. II [35]
4QGigantesª (4Q203 [4QGiantsª]) Frag.7 col. I [36]
4QGigantesª (4Q203 [4QGiantsª]) Frag.4 [37]
6QGigantes (6Q8 [6QGiants]) [38]
[4QHenoc c. (4Q204 [4QEn c.]), Col. VI (= 1 Henoc 13,6-14,16)] [39]
4QGigantes c (4Q531 [4QGiants c.]) Frag.8 [40]
[4QHenocª (4Q201 [4QEnª]), Col. I (= 1 Henoc 1,1-6)] [41]
Luther Link. O Diabo – A Máscara sem Rosto. Companhia das Letras.
(Cf. Charlesworth, J.H. (org.). The Old Testament pseudepigrapha:
Enoch. Trad. E. Isaac. Nova York, 1983; The apocripha and
pseudepigrapha of the Old Testament in english. Trad. R.H. Charles.
Oxford 1913, vol. II.) [42]
Luther Link. O Diabo – A Máscara sem Rosto. Companhia das Letras.
1995. [43]
Um dos mais extraordinários apologistas cristãos foi o grande
polemista Tertuliano (155-220 d.C.) Como a maioria dos criativos
primeiros padres, Tertuliano converteu-se na meia-idade. “Pode alguém
ser mais douto, mais perspicaz do que Tertuliano?”, perguntou Jerônimo.
Muitos termos “técnicos” cristãos usados hoje em latim foram
cunhados por Tertuliano; pecado original, vitium originis, é um
exemplo. Esse vigoroso líder da Igreja norte-africana juntou-se aos
montanistas, um rígido grupo de ascetas que acreditava na revelação
progressiva, ensinamento condenado pela Igreja. [44]
Luther Link. O Diabo – A Máscara sem Rosto. Companhia das Letras.
1995. [45]
Luther Link. O Diabo – A Máscara sem Rosto. Companhia das Letras.
1995. [46]
As anotações entre parênteses e colchetes são minhas. [47]
Serafim (Lat. Seraphim) significa
“o abrasador” (de Saraf).
Isaías é o primeiro a mencionar anjos com este nome: «Acima dele,
em pé, estavam serafins, cada um com seis asas: Com duas cobriam a face
(para não verem Deus diretamente), com duas cobriam os pés e com duas
voavam. Estes clamavam uns para os outros e diziam: “Santo, santo, santo é Jeová dos Exércitos, a sua glória enche toda a
terra...” Nisto, um
dos serafins voou para junto de mim, trazendo na mão uma brasa que
havia tirado, com uma tenaz, do altar. Com ela tocou-meos lábios, e
disse: “Vê, isto
tocou os teus lábios, a tua iniqüidade está removida, o teu pecado
está perdoado”» (Isa. 6, 2-3; 6-8) — Dionísio, o Areopagita, forneceu essa significação
de serafim: "A santa designação de serafins significa para
quem sabe hebraico "os que queimam", quer dizer, os que se
inflamam... O movimento perpétuo em torno dos segredos divinos, o
calor, a profundidade, o ardor fervilhante de uma revolução constante
que não conhece descanso ou declínio, o poder de elevar eficazmente à
sua semelhança os seus inferiores, animando-os com o mesmo ardor, o
mesmo fogo e o mesmo calor, o poder de purificar pelo raio e pelo fogo,
a evidente e indestrutível aptidão para conservar idênticas tanto a
sua própria luz quanto o seu poder de iluminação, a faculdade de
rejeitar e abolir toda treva obscurecedora, tais são as propriedades
dos serafins, dedutíveis do seu próprio nome" (PSEO,
206-207). [48]
O nome hebraico de querubim (kerubi) corresponde ao babilônico Karibu
(seres de aparência híbrida humanos-animais destinados a velar à
porta dos templos e dos palácios, como guardiães de tesouros)... No
momento da construção da Arca da aliança, Jeová prescreveu a Moisés:
«Farás dois querubins de
ouro, de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório;
faz-me um dos querubins numa extremidade e o outro na outra: Farás os
querubins formando um só corpo com o propiciatório, nas duas
extremidades. Os querubins terão as asas estendidas para cima e
protegerão o propiciatório com suas asas, um voltado para o outro. As
faces dos querubins estarão voltadas para o propiciatório. Porás o
propiciatória em cima da arca; e dentro dela porás o Testemunho que te
darei» (Êxodo 25, 18-21); No Templo de Salomão, querubins rodeiam a
arca, em Ezequiel, eles puxam o carro de Deus; e são a montaria de Deus
no Salmo 18: «Cavalgou um
querubim e voou, planando sobre as asas do vento». [49]
Os tronos (lat. Throni) são o nome dado aos anjos da primeira
hierarquia por Dionísio o Aeropagita: «Os
nomes atribuídos às inteligências celestes significam suas
respectivas aptidões de conceber a forma divina... Quanto ao nome de
tronos muito sublimes e muito luminosos, este indica a ausência total
neles de qualquer concessão aos bens inferiores, essa tendência contínua
em direção às alturas que indica claramente que eles não são daqui
de baixo, a sua indefectível aversão a toda baixeza, a tensão de
todas as suas forças para se manterem com firmeza a constância junto
Àquele que é, verdadeiramente, o Altíssimo, a sua capacidade de
receber com total impassibilidade, longe de qualquer mácula material,
todas as visitações da Tearquia, o privilégio que tem de servir de
assento a Deus e o seu zelo vigilante em se abrirem aos dons divinos.»
(207-208) [50]
Luther Link. O Diabo – A Máscara sem Rosto. Companhia das Letras.
1995. [51]
Robert Charroux. O Livro dos Segredos Traídos. Livraria
Bertrand. [52]
Robert Charroux. O Livro dos Segredos Traídos. Livraria
Bertrand. [53]
A palavra hebraica go∙’él,
que tem sido aplicada ao vingador de sangue, é um particípio de ga∙’ál,
que significa, “reivindicar”, “recuperar”, etc. Na lei dos
hebreus, o termo aplicava-se ao parente masculino mais próximo, que
tinha a obrigação de vingar o sangue daquele que fora morto. (Núm
35:19) O termo go∙’él designava também um parente com o
direito de comprar de volta (ou remir). Vingar
o sangue tinha por base o mandado a respeito da santidade do sangue e da
vida humana, declarado a Noé, em que Deus disse: “Exigirei de volta
vosso sangue das vossas almas... da mão de cada um que é seu irmão
exigirei de volta a alma do homem. Quem derramar o sangue do homem, pelo
homem será derramado o seu próprio sangue.” (Gên 9:5) O homicida
deliberado devia ser morto pelo “vingador do sangue”, e não se
devia aceitar nenhum resgate por tal assassinato (Núm 35:19-21, 31). É
claro que falta aqui um dado importante: Abel apenas ofereceu uma ovelha
como sacrifício, entretanto ele foi punido pelo irmão como se houvesse
matado um humano, a não ser que “ovelha” seja uma metáfora
indicando seu filho primogênito, como aparece no Êxodo: «19. Todo o
que nascer macho que sair por primeiro do seio materno é meu: todo
macho, todo primogênito das tuas ovelhas e do teu gado. 20. O jumento,
porém, que sair por primeiro do seio materno, tu o resgatarás como um
cordeiro; se não o resgatares, quebrar-lhe-ás a nuca. Resgatarás
todos os primogênitos dos teus filhos. Não comparecerás diante de mim
de mãos vazias.» (Êxodo 34: 19-20) [54]
Alberto Cousté. Biografia do Diabo. Editora Rosa dos Tempos
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